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sexta-feira, 7 de maio de 2021

6º Domingo da Páscoa

 9 de maio de 2021

Cor: Branco

 

 

1ª Leitura – At 10,25-26.34-35.44-48

O dom do Espírito Santo também foi derramado sobre os pagãos

 

Leitura dos Atos dos Apóstolos

 

25Quando Pedro estava para entrar em casa, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se prostrou. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: 'Levanta-te. Eu, também, sou apenas um homem'. 34Então, Pedro tomou a palavra e disse: 'De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 44Pedro estava ainda falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra. 45Os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os pagãos. 46Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro falou: 47'Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?' 48E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Eles pediram, então, que Pedro ficasse alguns dias com eles.

Palavra do Senhor.

 

A leitura dos Atos dos Apóstolos nos mostra Pedro indo ao encontro daqueles que se tornam os primeiros membros não judeus da Comunidade cristã. Pedro apresenta-se como simples homens, mensageiro humilde da Palavra, criando condições de diálogo e abrindo-lhe o coração para acolher e reconhecer o dom e a presença de Deus que se apresenta fora dos padrões esperados. De fato, essa leitura também nos adverte para a tentação de se pensar que o dom é exclusivo e que fora da comunidade constituída não há possibilidade para Deus. Os que foram com Pedro se admiraram que os pagãos também receberam o dom do Espírito. A pergunta de Pedro ressalta essa realidade: “podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?” A comunidade apostólica reconhece, desde o início, que há igualdade entre os membros da Igreja, independente de sua raça, cultura, condição social. É Deus quem conduz os caminhos da fé.

 

Salmo – Sl 97,1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b)

 

R. O Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações.

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo,*

porque ele fez prodígios!

Sua mão e o seu braço forte e santo*

alcançaram-lhe a vitória. R.

 

2O Senhor fez conhecer a salvação,*

e às nações, sua justiça;

3arecordou o seu amor sempre fiel*

3bpela casa de Israel. R.

 

3cOs confins do universo contemplaram*

3da salvação do nosso Deus.

4Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,*

alegrai-vos e exultai! R.

 

O Salmo nos convida a louvar a Deus, reconhecendo suas grandes maravilhas. Ligado à primeira leitura, como resposta, faz-nos pensar que as maravilhas de Deus são a concessão do dom do Espírito Santo a todos os povos, sem distinção; seu amor incondicional que salva a todas as criaturas.

 

2ª Leitura – 1Jo 4,7-10

Deus é amor

 

Leitura da Primeira Carta de São João

 

Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.

Palavra do Senhor.

 

Deus é amor. A identidade de Deus é ser amor. Ele ama todas as criaturas porque é sua essência, não é só uma opção, nem um simples desejo, é o próprio ser de Deus. É Ele o princípio do amor, como é Ele que inicia amando. Por isso, nosso amor encontra nele o fundamento e a imagem. Nós amamos à imagem de Deus, como Ele nos ama. Amar é relacionar-se profundamente com Deus, na prática do amor fraterno. Assim podemos compreender a vida de Jesus de Nazaré, um com o Pai, amando a todos: dialogando com mulheres, curando doentes, perdoando pecadores, acolhendo as criancinhas, comendo com publicanos, fariseus e leprosos... Demonstrando o amor de Deus, que não faz distinção entre as pessoas.

 

Evangelho – Jo 15,9-17

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.

Palavra da Salvação.

 

Jesus apresenta sua ligação amorosa com o Pai como fundamento para o amor mútuo entre seus discípulos. Não há lugar para justificativas fortuitas: o amor cristão é o amor do Filho encarnado, que deu sua vida pelos seus. Dar a vida é a atitude reveladora do amor, que acontece na prática do dia a dia. Só existe comunidade cristã com a prática do amor, amor como resposta ao amor de Deus, que é amor e ama por primeiro, e como partilha do amor. Amar é permanecer em Cristo, como o ramo permanece na videira e dá fruto. Permanecer em cristo é condição primordial para entender o amor divino.

A comunidade cristã se entende como continuadora da missão do Filho de Deus, e sem a missão, que é caridade, deixa de ser cristã. Permanecendo em Cristo e no seu amor, a Igreja ama incondicionalmente e incansavelmente, praticando a caridade na missão. Dom e compromisso assumido a partir de sua identidade, na permanência em Cristo Senhor. Amor e prática missionária são constituintes da identidade de quem segue o Cristo. Não é a prática de leis e de rubricas que constituem o povo de Deus. Leis e rubricas são apenas organização parcial da prática orante e da missão eclesiais. Sem amor elas perdem todo sentido e passam a ser peso insuportável e impraticável.

 

Nesse domingo, também celebramos o dia das mães. As geradoras de vida que, no amor, entregam-se a quem, desde seu ventre e por toda a vida, mantêm uma relação profunda e misteriosa. As mães são as reveladoras da possibilidade de amar como Deus ama: com amor desejoso de comunhão de vida, mas sem esperar resposta, amar porque se é assim, por que se é capaz de amar, não impondo condições, não se importando com situações... Incansáveis no cuidado, fortes na construção de condições de vida digna, batalhadoras por um mundo melhor e justo, testemunham na prática cotidiana o que é o amor de Deus por seus filhos e suas filhas.

 

 

Consulte:

https://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2021&mes=5&dia=9

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/6%e2%81%b0-domingo-da-pascoa-9-de-maio/

https://subsidiosexegeticos.wordpress.com/2021/05/03/vi-domingo-do-tempo-pascal/

sábado, 6 de junho de 2020

Tempo Comum - Solenidade da Santíssima Trindade


7 de Junho de 2020
Cor: Branco


1ª Leitura - Ex 34,4b-6.8-9
Senhor, Senhor, Deus misericordioso e clemente.
Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias: 4bMoisés levantou-se, quando ainda fazia noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. 6Enquanto o Senhor passava diante dele Moisés gritou: 'Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel'. [ 7Ele conserva seu amor por milhares de gerações, tolerando a falta, a transgressão e o pecado, mas não deixa ninguém impune: castiga a falta dos pais nos filhos, netos e bisnetos».] 8Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão 9e, prostrado por terra, disse: 'Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua'.
Palavra do Senhor.

Aparecem neste texto alguns elementos que podemos tomar como símbolos: “quando fazia noite” – quando havia escuridão, quando se andava nas trevas, quando se estava sem ver clareza o horizonte; “subiu ao monte Sinai” – buscou um lugar de visão, de onde se pode contemplar horizontes; “como o Senhor havia mandado” – sabe o que quer achar, mesmo que não veja o caminho, conhece o que quer, como se evidencia na oração feita diante do Senhor; “levou as tábuas de pedra” – fundamento sólido (a casa construída sobre a rocha permanece – Mt 7,24-25); “curvou-se até o chão” – reconheceu sua condição de criatura feita da terra, do barro (Gn 2,7), também a condição limitada do povo, ao mesmo tempo em que confia no amor misericordioso de Deus.
Deus permanece com Moisés, escuta sua súplica.

Salmo - Dn 3, 52.53.54-55.56 (R.52b)

R. A vós louvor, honra e glória eternamente!

52Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.*
Sede bendito, nome santo e glorioso. R.

53No templo santo onde refulge a vossa glória. R.

54E em vosso trono de poder vitorioso. R.

55Sede bendito, que sondais as profundezas*
e superior aos querubins vos assentais. R.

56Sede bendito no celeste firmamento. R.

O salmo é como que a continuação da oração de Moisés. A liturgia nos faz cantar a honra e a glória de Deus, louvando-o por sua presença em toda a sua criação, louvando-o por sua presença amorosa, que nos envolve com suas maravilhas.

2ª Leitura - 2Cor 13,11-13
A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo.
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios
11Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.
Palavra do Senhor.

Neste trecho da segunda carta aos Coríntio, somos convidados à alegria, pela participação no amor e na paz de Deus, na participação da vida da Trindade. Deus Trino é graça, amor, comunhão.

Evangelho - Jo 3,16-18
Deus enviou seu Filho ao mundo, para que o mundo seja salvo por ele.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João
16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Palavra da Salvação.

Deus ama e dá vida, concede a salvação a todas as criaturas. Enviou o seu Filho unigênito para todos, deixando a liberdade de acolher ou não o Filho, o amor, a salvação. Esta fala de Jesus, no Evangelho segundo João, faz parte do diálogo com Nicodemos, que foi procurar Jesus quando ainda era escuro, quando ainda estava nas trevas, mas buscava luz, buscava a verdade. Jesus deixa claro que a verdade é Deus, e a encontra quem reconhece o Filho enviado por Ele.
No Mistério da Santíssima Trindade, encontramos o amor, a comunhão, a graça para a vida sempre nova de quem entra na dinâmica da relação amorosa com Deus e com suas criaturas. Consegue compreender esse mistério quem participa dele.
Ao mesmo tempo, esse Mistério é sacramentum, é sinal santificante. Ao ser imagem de Deus, e Deus é Trindade, o somos enquanto somos amor, graça e comunhão nesse mundo. 
Em tempos de tantas trevas, com tantos horizontes desfocados, com tantas incertezas no caminho, com rancores e desrespeitos, podemos propor fundamentos sólidos, concretizados no amor que une que faz comungar da vida uns dos outros. A vida fraterna franciscana tem como fundamento essa dinâmica pericorética divina, nem sempre posta em ato por causa dos limites humanos, mas sempre possível de ser vivida. A comunhão com o mundo, mais do que serviço, é extravasamento da comunhão entre irmãos e com Deus.
Celebrar a Santíssima Trindade, é celebrar o amor vivencial, comunional, identitário. Se vivemos em tempos de distanciamento social, não vivemos tempos de falta de comunhão existencial.

sábado, 7 de março de 2020

2º Domingo da Quaresma


1ª Leitura - Gn 12,1-4a
Vocação de Abraão, pai do povo de Deus.
Leitura do Livro do Gênesis 12,1-4a
1Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: 'Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. 2Farei de ti um grande povo e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. 3Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!'. 4E Abraão partiu, como o Senhor lhe havia dito.
Palavra do Senhor.
Deus faz um convite a Abrão, a viver a aventura da fé, deixar a comodidade e lançar-se ao desconhecido, na confiança de Deus. Como consequência: tornar-se bênção para todas as famílias da terra. Todas, não algumas. Abrão aceita.

Salmo - Sl 32,4-5.18-19.20 e 22 (R. Cf. 22)
R. Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,
venha a vossa salvação!

4Pois reta é a palavra do Senhor,*
e tudo o que ele faz merece fé.
5Deus ama o direito e a justiça,*
transborda em toda a terra a sua graça. R.

18Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,*
e que confiam esperando em seu amor,
19para da morte libertar as suas vidas*
e alimentá-los quando é tempo de penúria. R.

20No Senhor nós esperamos confiantes,*
porque ele é nosso auxílio e proteção!
22Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,*
da mesma forma que em vós nós esperamos! R.


2ª Leitura - 2Tm 1,8b-10
Deus nos chama e ilumina.
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 1,8b-10
Caríssimo: 8bSofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. 10Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho,
Palavra do Senhor.
A vida que nos é dada em Jesus Cristo não é mérito mas graça, dom amoroso de Deus. Graça que se manifesta na salvação efetuada por Cristo. Salvação gratuita que faz brilhar a vida. O sofrimento suportado encontra nessa dinâmica sentido. O sofrimento que não está ligado à vida, mas é sinal de morte deve ser vencido, superado, transformado.

Evangelho - Mt 17,1-9
O seu rosto brilhou como o sol.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
Naquele tempo: 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse: 'Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.' 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!' 6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: 'Levantai-vos, e não tenhais medo.' 8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: 'Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.'
Palavra da Salvação.

Jesus leva seus discípulos à altura da montanha, à altura do lugar sagrado, à altura da presença de Deus. É na presença de Deus que eles fazem a experiência da plenitude (o brilho do sol e a brancura das vestes, no Apocalipse se dirá que os dignos alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro), são recobertos pelo Espírito (a nuvem), enquanto reconhecem a plenitude da lei e dos profetas no Cristo, mesmo que, ao ouvirem a voz divina, caiam por terra com medo. Jesus os levanta, tocando-os, como fizeram com os doentes, retornando ao cotidiano. Mas, antes de anunciar o que viveram, devem compreender até o fim.

Deus nos provoca (chama) a deixar o próprio conforto para viver a aventura de novas relações, de nova forma de vida. Uma vida plenificada no Espírito pelos méritos do Filho. O caminho da Quaresma é o caminho propício para fazer a experiência desse convite divino.
O Tempo da Quaresma é o tempo de conversão, de vir para junto, de comungar da vida de Deus e dos outros. A escuta é o início da abertura do coração. O Pai convida, dentro da aventura de sair de nossa terra, de nossa convivência tranquila e cômoda, dentro da aventura de subir a montanha, a escutar o Filho Amado, que se faz reconhecer nos pequeninos, nos sedentos, nos famintos, nos presidiários, nos doentes, que clamam, gritam, por compaixão e cuidado. É na relação de cuidado que se pode fazer a experiência do envolvimento divino. Quem sobe essa montanha desce transformado e, meditando e compreendendo tal experiência, faz diferença no cotidiano da comunidade, da família, da sociedade e da criação.

Fontes:
https://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2020&mes=3&dia=8
https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/2o-domingo-da-quaresma-8-de-marco/

sábado, 9 de junho de 2018

10º Domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Gn 3,9-15


Depois que o homem comeu da fruta da árvore, 9o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: 'Onde estás?' 10E ele respondeu: 'Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi'. 11Disse-lhe o Senhor Deus: 'E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?' 12Adão disse: 'A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi'. 13Disse o Senhor Deus à mulher: 'Por que fizeste isso?' E a mulher respondeu: 'A serpente enganou-me e eu comi'. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: 'Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar'.
Com facilidade nos perdemos no jogo de empurra-empurra, para nos livrar da culpa e das responsabilidades de nossos atos. Aqui, porém, se trata de quebra de relações. Adão tinha uma relação com Deus, embasada na familiaridade e nas “combinações”, quando estas são quebradas aparecem a vergonha e o escondimento. A nudez, que na inocência não causa problema, é a desculpa para esconder-se do amigo, com o qual se rompeu relações.
A serpente, que na simbologia oriental significa sabedoria, na experiência de Israel se torna símbolo de rompimento da aliança com Deus e de opressão. A sabedoria dos povos vizinhos (egípcios, babilônios, assírios, persas…) oprimiu e escravizou o povo de Deus. Nas tentações (Queremos ser como os outros povos – 1Sam 8,10-22), o povo de Deus se escondeu de seu Deus.

Salmo - Sl 129,1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

R. No Senhor toda graça e redenção!

1Das profundezas eu clamo a vós, Senhor,*
2escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos*
ao clamor da minha prece! R.

3Se levardes em conta nossas faltas,*
quem haverá de subsistir?
4Mas em vós se encontra o perdão,*
eu vos temo e em vós espero. R.

5No Senhor ponho a minha esperança,*
espero em sua palavra.
6A minh'alma espera no Senhor*
mais que o vigia pela aurora. R.

7Espere Israel pelo Senhor,*
pois no Senhor se encontra toda graça
e copiosa redenção.
8Ele vem libertar a Israel*
de toda a sua culpa. R.
Só o Senhor pode reparar o erro que cometemos, pois nossa fraqueza está sempre a mercê das tentações que nos dividem, nos escondem, nos afastam de Deus. Nossa esperança é que Deus redime, consola, salva, liberta.

2ª Leitura - 2Cor 4,13-18-5,1


Irmãos: 13Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: 'Eu creio e, por isso, falei', nós também cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. 17Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. 18E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. 5,1De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.
Quando voltamos nossos olhos para as coisas invisíveis, não deixamos as coisas visíveis nos tirar do caminho. As tribulações, pequenas ou grandes, que nos escandalizam e fazem duvidar de Deus, afastar da Comunidade, abandonar a fé, surtem seu efeito porque desviamos o olhar do foco principal que é a verdade, muitas vezes escondida pelas imagens deturpadas que são apresentadas àqueles e àquelas que buscam viver o Evangelho, não seguindo sistemas mundanos, querendo transformar as realidades.
“Cremos, por isso falamos” - em que cremos, em que falamos? Falamos do que cremos? No anúncio paulino, está o forte convite para olhar a fé que carregamos no peito, cultivamos e aprofundamos: a fé no Evangelho, ou a fé no mundo?

Evangelho - Mc 3,20-35


Naquele tempo: 20Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. 22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: 'Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno'. 30Jesus falou isso, porque diziam: 'Ele está possuído por um espírito mau'. 31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: 'Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura'. 33Ele respondeu: 'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?' 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe'.
O que acontece é um processo de difamação: os doutores dizem que Jesus está possuído por um espírito mau (Belzebu); seus familiares que enlouqueceu. A difamação busca segurar, prender, conter aquele que está fazendo algo diferente, que atrai multidões fora do centro (Jerusalém-Templo). Jesus revela esta farsa, que quer tirar do caminho de Deus.
Seus familiares de sangue são convidados a perceber que há laços maiores de familiaridade, que vêm de Deus: quem faz a vontade do Pai…

Para São Francisco de Assis, nos tornamos esposos, irmãos e mães de Cristo quando, cumprindo a vontade de Deus, desposamos a vida do Evangelho pelo Espírito Santo, e damos à luz o Filho de Deus por obras santas. Buscar a vida do Evangelho é levar Jesus aos outros, não o prendendo egoisticamente para si, para sua comunidade, para seu grupo. Disse Paulo, é maior a graça quanto maior o número dos que louvam a Deus. As comunidades são convidadas a abrir-se a quem chega, a fazer com que se encontrem com Jesus, a descobrir a verdade e a superar a tentação, fruto da mentira, que não quer a comunhão com o Senhor.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Solenidade do Divino Espírito Santo



1ª Leitura – At 2,1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”
O livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra que a vinda do Espírito Santo transforma a paralisia em ação. Provoca barulho que reúne, faz anunciar, faz entender. Leva para uma ação evangelizadora. Esquenta, abrasa, movimenta.

Salmo - Sl 103,1-2a.24.35c.27-28.29bc-30 (R.30)

R. Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor!*
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
2De majestade e esplendor vos revestis
e de luz vos envolveis como num manto. R.

24Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras,*
e que sabedoria em todas elas!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas.*
35cBendize, ó minha alma, ao Senhor! R.

27Todos eles, ó Senhor, de vós esperam*
que a seu tempo vós lhes deis o alimento;
28vós lhes dais o que comer e eles recolhem,*
vós abris a vossa mão e eles se fartam. R.

29Se tirais o seu respiro, eles perecem*
e voltam para o pó de onde vieram;
30enviais o vosso espírito e renascem*
e da terra toda a face renovais. R.
O Salmo suplica a vinda e a plenitude do Espírito Santo, doador da vida, sustendador da vida, santificador da vida.

2ª Leitura – 1Cor 12,3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.
São Paulo nos mostra que é o Espírito, habitando em nós, que reconhece o Cristo, sua divindade, sua ação e sua missão. É o Espírito que nos coloca em comunhão com todo o corpo de Cristo (a Igreja) e com todo o mundo (a sociedade) pela partilha dos dons para o bem comum.

Evangelho – Jo 20,19-23

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

O Evangelho segundo São João nos coloca na dinâmica do envio. Envio que inicia com o desejo de paz. Paz que transforma o medo em alegria, por fazer a experiência do Cristo verdadeiramente ressuscitado. Paz que tem a consequência do envio conforme o modelo do Pai, que envia o Filho. Envio que integra o perdão.

A Solenidade de Pentecostes é a festa que recorda que a morte e ressurreição do Senhor Jesus desembocam no envio, na missão dos que creem. O Espírito Santo sacode, move, faz acontecer, mas o cristão e a cristã são os coagentes com o Espírito. Habitados plenamente pelo Espírito (pela vida sacramental e pela coerência com o Evangelho), aprendem com toda a vida do Cristo (da encarnação à cruz e à ressurreição) os critérios do Pai, atuando para o bem comum, enchendo a terra com o Espírito de Deus, transformando as realidades contrárias ao Evangelho, pelo anúncio, pela ação misericordiosa, pela ação missionária. Não escondem os seus dons, também não os encerram dentro da própria comunidade. Abrem-se para o mundo, reconhecendo a presença de Deus, pelos olhos do Espírito, em todas as realidades, culturas, grupos, lugares…
Não podemos esquecer a figura de Maria, neste mês de maio. Para São Francisco de Assis, ela é “esposa do Espírito Santo”. A exemplo dela, quem desposa o Espírito, dá à luz o Filho de Deus, passando de servo, de serva, a mãe. A mãe se ocupa e preocupa com os filhos mais frágeis, mais necessitados, sem se esquecer dos fortes, mesmo que dedique mais tempo àqueles. Deus também dedica especial atenção aos pequenos, órfão, viúvas, estrangeiros, doentes, excluídos, pobres, encarcerados, sedentos, famintos, desnudos...
O Espírito move nosso olhar para onde Deus olha! (Ao menos a quem se deixa guiar por Ele)!

As narrativas da estigmatização de Francisco de Assis

  É interessante que Francisco nunca faça menção aos seus estigmas, nem mesmo de forma indireta. Santa Clara, sua grande amiga que o tem com...